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TURISMO SERTANEJO EN CHILE
O turismo é um dos mais importantes itens da pauta de exportações do Chile. Ocupando junto com a produção de pescados, a quarta posição na economia chilena, o setor turístico está atrás apenas do cobre, da madeira e da produção de frutas. Sem embargo, o terremoto ocorrido em 27 de fevereiro de 2010, provocou impactos consideráveis na economia do País, afetando, sobretudo, o setor turístico, verificando-se brusca redução no número de visitantes estrangeiros. Este fato deve-se, principalmente, à repercussão negativa das imagens do terremoto divulgadas no exterior, especialmente no Brasil, atualmente o principal país emissor de turistas para o Chile.
O sismo ocorreu no final das férias de inicio do ano, afetando importantes destinos turísticos como as cidades de Santiago, Val Paraíso, Viña Del Mar e Concepción, provocando um grande susto na população e nos turistas que já regressavam aos seus lares.
Dentre as estratégias governamentais para recuperação econômica do País destaca-se o Projeto Innova Chile, cujos objetivos inclui o apoio para projetos de inovação de rápida implementação, oferecendo subsídios para a criação de valor nas empresas nacionais, através da transformação de idéias ou conhecimentos em novos ou significativamente melhorados produtos (bens e serviços), processos, métodos de comercialização ou métodos organizacionais de rápida e mediana implementação.
Neste contexto, apresentamos o Projeto Turismo Sertanejo como uma das alternativas econômicas para fortalecimento da economia comunitária no Chile. O Turismo Sertanejo é uma forma de turismo participativo implementado no Brasil desde o ano 2000, cujos resultados são bastante satisfatórios no tocante à estruturação de uma rede turística de baixo custo, de fácil administração e que propicia uma renda adicional à economia local. Esse modelo de turismo sustentável insere-se na perspectiva desenvolvimento/preservação ambiental das áreas situadas no interior do País e economicamente deprimidas, priorizando os sistemas naturais, o patrimônio cultural material e imaterial, bem como os hábitos e costumes simples da população residente. Como o turismo é um dos setores prioritários da economia chilena, o sistema como todo deve estar aberto à renovação, com a inclusão de novas idéias, exemplificadas por meio de projetos bem sucedidos em outros países.
Os turistas internacionais que buscam usufruir dos extraordinários atrativos turísticos chilenos são oriundos, principalmente, do Brasil, México e Estados Unidos. Contudo, a curta permanência dos visitantes é incompatível com a riqueza e diversidade do potencial turístico chileno, principalmente porque os roteiros e passeios oferecidos pelas agências restringem-se basicamente às cercanias de Santiago. Para reverter esse quadro concentrador das atividades turísticas, as estratégias para o desenvolvimento do país devem priorizar a divulgação da diversidade ambiental e cultural do Chile, incentivando o turismo comunitário participativo, e salientando a facilidade de acesso aos lugares exóticos, em seus aspectos naturais e culturais.
A redução brusca do fluxo de turistas no ano de 2010 deve-se aos impactos midiáticos negativos que expuseram o Chile através da veiculação de imagens desastrosas. Santiago, a capital chilena e principal destino turístico, foi apresentada como sensivelmente abalada pelos tremores, vitimando ou causando transtornos aos 5 milhões de habitantes. Contudo, sabe-se que o terremoto atingiu regiões situadas ao sul da capital, havendo poucos reflexos em Santiago. Passado o susto, após um ano desde o terremoto, a vida começa a voltar ao normal em Santiago e no resto país, evidenciando-se a notável recuperação do setor turístico.
Sabe-se que o turismo cumpre papel fundamental na recuperação de áreas economicamente depressivas, imersas em crises provocadas por fatores naturais ou socioeconômicos.
Neste contexto, apresentamos como alternativa economicamente viável e socialmente abrangente, o Turismo Sertanejo, uma forma de lazer e entretenimento sustentável, baseado na paisagem natural, no patrimônio cultural e no modo de vida da população local, em seus diversos aspectos e valores culturais. O Turismo Sertanejo surgiu no ano de 1999, no Estado da Paraíba, situado na Região Nordeste do Brasil, com o objetivo de estruturar e implantar roteiros turísticos sustentáveis no Polígono das Secas. Situado na Região Semi-árida do Nordeste Brasileiro, o Polígono das Secas é um semi-deserto com uma área aproximada de 1.000.000 de quilômetros quadrados, onde vivem mais de 20 milhões de pessoas.
Após doze anos de implantação do Projeto Turismo Sertanejo, inúmeros roteiros turísticos estão consolidados, beneficiando milhares de pessoas, que integram os circuitos turísticos sertanejos, na Região Nordeste e em outras regiões do Brasil.
Os conhecimentos adquiridos com a implantação de projetos turísticos sertanejos foram apresentados em dois eventos recentes realizados no Chile. Primeiramente no mês de abril, durante a realização do I Congreso Iberoamericano del Patrimonio Turístico, promovido pelo Instituto de Patrimônio Turístico - IPT e a Universidade Central do Chile. O segundo e importante momento para exposição do Projeto Turismo Sertanejo ocorreu no Seminário de Patrimonio Natural: Puesta en valor para el Turismo, também promovido pelo IPT e Universidade Central do Chile. Na oportunidade apresentamos o tema “Turismo Sertanejo: Paisagem Natural no Sertão do Brasil”, despertando o interesse e a curiosidade do público presente. No período de uma semana, participamos de reuniões com órgãos oficiais vinculados ao desenvolvimento turístico, como a SENATUR, Ministério do Meio ambiente e o CONAF, tendo como pauta a elaboração e programação da execução de um projeto para desenvolvimento do turismo sustentável de base local no Chile.
Para embasamento de nossa exposição, apresentamos experiências bem sucedidas no Brasil, com a implantação de projetos turísticos comunitários, inclusive em áreas protegidas. Cremos que as bases sustentáveis do Turismo Sertanejo podem servir como suporte à implantação de um Projeto Turístico de Base Comunitária no Chile. O Projeto poderia ser integrado aos planos estratégicos governamentais, previstos para este ano de 2011 e o decênio 2012/2013, com a participação das comunidades locais, acadêmicos, investigadores, especialistas e técnicos do Chile e do Brasil.
Como resultado do Projeto, pretendemos fortalecer a base social do turismo com ênfase na agregação de valor ao patrimônio natural e cultural e, ao mesmo tempo, criando oportunidades de trabalho e renda para os povos residentes nos destinos turísticos.
Mais Informações: www.turismosertanejo.com.br
Autor: Giovanni Seabra. Geógrafo, Doutor em Geografia Física, Professor Associado da Univerisdade Federal da Paraíba, Brasil.
O turismo é um dos mais importantes itens da pauta de exportações do Chile. Ocupando junto com a produção de pescados, a quarta posição na economia chilena, o setor turístico está atrás apenas do cobre, da madeira e da produção de frutas. Sem embargo, o terremoto ocorrido em 27 de fevereiro de 2010, provocou impactos consideráveis na economia do País, afetando, sobretudo, o setor turístico, verificando-se brusca redução no número de visitantes estrangeiros. Este fato deve-se, principalmente, à repercussão negativa das imagens do terremoto divulgadas no exterior, especialmente no Brasil, atualmente o principal país emissor de turistas para o Chile.
O sismo ocorreu no final das férias de inicio do ano, afetando importantes destinos turísticos como as cidades de Santiago, Valparaíso, Viña del Mar e Concepción, provocando um grande susto na população e nos turistas que já regressavam aos seus lares.
Dentre as estratégias governamentais para recuperação econômica do País destaca-se o Projeto Innova Chile, cujos objetivos inclui o apoio para projetos de inovação de rápida implementação, oferecendo subsídios para a criação de valor nas empresas nacionais, através da transformação de idéias ou conhecimentos em novos ou significativamente melhorados produtos (bens e serviços), processos, métodos de comercialização ou métodos organizacionais de rápida e mediana implementação.
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